Incorporação de tecnologias e o desafio do aumento de custos

É fato que a incorporação de tecnologias nos sistemas públicos e privados de todo o mundo vem promovendo melhoras nos serviços de saúde e na qualidade de vida dos pacientes. No entanto, é sabido também que essas novas tecnologias trazem um aumento de custos para o setor.

Isso acontece em um cenário em que a expectativa de vida e, em consequência, o envelhecimento da população, também cresce ano a ano, tornando o aumento dos custos na área de saúde um desafio a ser superado.

Para melhor avaliar e planejar a incorporação de tecnologias no setor, existem as Avaliações de Tecnologias em Saúde (ATS), um processo multidisciplinar que leva em conta informações sobre questões médicas, sociais, econômicas e éticas para embasar decisões sobre o uso dessas tecnologias.

As ATS começaram a ser desenvolvidas no departamento de tecnologia do governo norte-americano em 1976 e passaram a ser difundidas para outros países na década de 1980. Hoje, a metodologia é usada também por países como Canadá, Inglaterra, Austrália e Argentina.

No Brasil, a ATS é uma etapa obrigatória para a incorporação de tecnologias no Sistema Único de Saúde (SUS). Por serem responsáveis por atender quase um quarto da população do país, as operadoras de planos particulares têm um importante papel e, por isso, o aumento de custos nesse âmbito deve ser estudado e debatido.

Neste artigo, falaremos sobre os motivos do crescente custo da saúde suplementar e da importância das ATS para superar esse desafio.

Como avaliar o custo-efetividade na incorporação de tecnologias em saúde

Uma das etapas de uma ATS é a avaliação de custo-efetividade. O objetivo dessa fase do estudo é comparar diferentes tecnologias para avaliar qual delas é capaz de proporcionar maior efetividade por determinado custo, ou um certo resultado em saúde pelo menor custo. Para esse fim, os custos são avaliados em valores monetários, enquanto a efetividade é medida com base em parâmetros como mortalidade, morbidade, hospitalização, etc.

Estudos do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) apontam que produtos para a saúde e medicamentos têm sido as principais causas do aumento de custos em saúde suplementar nos últimos anos.

O que eleva os custos na saúde suplementar

O sistema de saúde suplementar envolve diversos atores, como operadoras de planos de saúde, prestadores de serviços e fornecedores de medicamentos, materiais e equipamentos. Em se tratando de uma rede tão complexa, é natural que se questione de onde vem o aumento de custos que se reflete em maiores preços dos planos de saúde para o beneficiário.

Para responder essa questão, as operadoras apontam que haveria excessos em dois elos da cadeia:

  • Os beneficiários utilizariam muito mais os serviços médicos do que seria realmente necessário;
  • Médicos e hospitais exagerariam na solicitação de procedimentos e exames, uma vez que são remunerados por isso.

Dessa forma, o sistema estimularia o desperdício e até mesmo fraudes, uma vez que alguns atores do sistema teriam estímulo para prescrever medicamentos e solicitar procedimentos desnecessários.

O aumento verificado nas despesas dos planos de saúde, porém, acontece mais rapidamente do que o dos hospitais e medicamentos, o que indica que as questões apontadas pelas operadoras, portanto, não explicam o problema em sua totalidade. Outro ponto que pode ser levantado é a eficiência da gestão, em especial em duas vertentes:

  • De forma geral, os planos de saúde não oferecem aos beneficiários a orientação necessária e mecanismos que visem promover a utilização adequada e racional dos recursos. Em vez disso, para reduzir custos, as operadoras restringem o acesso do beneficiário, criando entraves que geram insatisfação com o sistema;
  • As operadoras costumam usar o custo dos procedimentos como principal elemento de negociação com a rede credenciada, o que leva esse elo da cadeia a baixar a qualidade dos serviços. No longo prazo, essa situação gera a mais desperdício e menor efetividade.

O papel das ATS na redução de custos da saúde suplementar

Além de serem essenciais para a evolução do setor de saúde e para o aumento da longevidade e da melhoria da qualidade de vida da população, as tecnologias são importantes para trazer eficiência ao atendimento, agilidade e precisão aos diagnósticos, podendo até mesmo reduzir custos de procedimentos.

As ATS, ao basear-se em evidências científicas e análises de custo-efetividade, proporcionam maior racionalidade na tomada de decisão sobre a incorporação de tecnologias, podendo contribuir assim com a otimização dos recursos também no sistema de saúde suplementar.

Para saber mais sobre ATS e a análise de custo-efetividade na incorporação de tecnologias em saúde, baixe o e-book MAPES: Cases &Soluções.

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