Avaliações econômicas: as principais técnicas usadas na incorporação de tecnologias

As avaliações econômicas na área de saúde começaram a ser usadas na década de 1960, com o objetivo de avaliar e comparar informações existentes sobre diferentes tecnologias para, assim, tomar decisões sobre a melhor forma de alocar recursos. Desde então, houve um progressivo desenvolvimento das metodologias na área, tornando esse tipo de análise cada vez mais relevante em processos de incorporação de tecnologias no setor – tanto no sistema de saúde público, como no privado.

Dependendo do objetivo, esses estudos podem seguir diferentes técnicas e se baseiam na análise dos custos necessários para subsidiar determinada tecnologia e nos desfechos em saúde esperados.

As avaliações econômicas podem, ainda, avaliar uma única tecnologia ou possibilitar a comparação entre duas ou mais alternativas disponíveis. Neste artigo, abordaremos em especial dois dos principais instrumentos utilizados: as análises de custo-efetividade e de custo-utilidade.

As principais técnicas de avaliações econômicas

Hoje existem basicamente três técnicas utilizadas para realizar avaliações econômicas: custo-benefício, custo-efetividade e custo-utilidade. Embora elas se utilizem de ferramentas microeconômicas para apurar e calcular custos e outros indicadores, todas as três buscam atender a um propósito macroeconômico, auxiliando na tomada de decisão sobre a melhor forma de alocar recursos no setor de saúde. Conheça abaixo cada uma delas.

Custo-benefício

A metodologia de custo-benefício é utilizada para avaliar projetos sociais, sejam eles na área da saúde ou não. Esse instrumento permite que seja analisado um único projeto ou mais de um, para efeito de comparação. O objetivo desse tipo de estudo é avaliar os custos da tecnologia em saúde a ser incorporada, em relação ao benefício que ela pode proporcionar.

Custo-efetividade

A técnica de análise custo-efetividade avalia os custos envolvidos na incorporação da tecnologia e o seu desempenho no sentido de cumprir objetivos e metas preestabelecidos. Em suma, ela pretende definir qual a melhor estratégia para atingir o fim desejado. A análise custo-efetividade é sempre comparativa, avaliando diferentes soluções para um mesmo objetivo, com o objetivo de escolher a mais adequada.

De maneira resumida, o processo de análise custo-efetividade se baseia nas seguintes etapas:

  • Definição e quantificação da meta;
  • Definição das possíveis estratégias para alcançar a meta;
  • Identificação e levantamento dos custos de cada estratégia;
  • Identificação e cálculo da efetividade das diferentes estratégias;
  • Análise do custo, da efetividade e da relação custo-efetividade de cada uma das estratégias;
  • Análise de sensibilidade.

É importante ressaltar que, diferentemente da análise de custo-benefício, a metodologia de custo-efetividade trabalha com base em um efeito a ser alcançado, e não focada em um projeto específico.

Esse instrumento, porém, ainda deixa de fora variáveis importantes, como aspectos políticos e culturais que também são importantes. Sendo assim, a análise custo-efetividade não deve ser a única técnica utilizada no processo de incorporação de tecnologias em saúde.

Custo-utilidade

A técnica de custo-utilidade pode ser entendida como uma análise custo-efetividade mais elaborada e focada na duração e qualidade da sobrevida. Dessa forma, ela é utilizada fundamentalmente na comparação de soluções para pacientes crônicos. A unidade utilizada no estudo é a relação custo/sobrevida, sendo que a sobrevida é calculada por uma unidade específica, o Qualy ou Ano de Vida Ajustado por Qualidade (Avaq), que considera o tempo e a qualidade de vida proporcionados por cada intervenção analisada.

Os estudos de custo-utilidade requerem uma etapa anterior a outros estudos de custo-efetividade, que consiste no levantamento de Qualys existentes para cada tipo de tecnologia e estado de saúde. Essa fase requer um trabalho considerável, com a realização de pesquisas com pacientes já submetidos a procedimentos com essas tecnologias, nas quais eles dão uma nota à qualidade de sua sobrevida após a intervenção. Outro ponto é o de que não existem métricas estabelecidas para a sociedade brasileira, sendo necessária a utilização de dados internacionais.

Situações de uso das diferentes técnicas

Custo-efetividade

Um exemplo de utilização da análise custo-efetividade é na avaliação de diferentes estratégias de vacinação, com o objetivo de estabelecer a cobertura universal, avaliando sistemas de vacinação de rotina, em massa ou de acordo com os custos e efetividade de cada uma.

Custo-utilidade

Por conta do trabalho adicional necessário, com as pesquisas prévias, normalmente os estudos de custo-utilidade são aplicados a tratamentos de alto custo e impacto pouco conhecido sobre a sobrevida dos pacientes. Um exemplo são os tratamentos para doenças coronarianas, como implantação de marcapasso e transplante de coração.

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