Análise de custo-efetividade (ACE): dados objetivos para incorporar tecnologias da saúde

A análise de custo-efetividade (ACE) é hoje a metodologia de avaliação econômica mais indicada para comparar duas ou mais tecnologias da saúde com o intuito de optar pela que trará mais benefícios, preferencialmente pelo menor custo. Utilizada nas Avaliações de Tecnologias em Saúde (ATS), a análise de custo-efetividade (ACE) começou a ser adotada nos anos 1970 nos países desenvolvidos e tornou-se um poderoso instrumento para os processos de incorporação de tecnologias no momento em que o setor de saúde enfrenta o desafio de alocar da melhor forma os recursos disponíveis, que muitas vezes são escassos.

É importante ressaltar que a análise de custo-efetividade (ACE) não se resume a escolher a opção mais barata, mas toma por base dados do mundo real para ponderar informações clínicas com custos e então, a partir de informações objetivas, chegar à opção mais indicada de acordo com os dois critérios. Leia a seguir.

Em que consiste a análise de custo-efetividade (ACE)

No contexto dos estudos econômicos para a incorporação de tecnologias da saúde, entende-se por efetividade o benefício observado no mundo real e, por eficiência, o benefício ponderado pelo custo. Nesse cenário, a análise de custo-efetividade (ACE) usa a eficiência como instrumento para analisar o valor das intervenções em saúde, sendo que “valor”, aqui, é usado em um contexto amplo, que vai além do fator financeiro, mas que considera também a contribuição real das tecnologias estudadas para os indivíduos.

Dessa forma, para que uma análise de custo-efetividade (ACE) cumpra o seu intuito, os dados analisados precisam ser sempre objetivos:

  • Custos: são medidos em unidades monetárias;
  • Desfechos clínicos: são medidos em unidades clínicas, como mortalidade, hospitalizações evitadas, anos de vida ganhos etc.

O índice final da ACE, portanto, é expresso pelo “custo por unidade clínica de sucesso”, como o custo por morte evitada ou por dia sem dor. É a partir desses dados, calculados com base nas informações objetivas dos valores financeiros e da observação do mundo real, que será possível comparar duas ou mais tecnologias da saúde com embasamento para a tomada de decisão.

Etapas do processo

Para levantar dados objetivos, que possam embasar bem os cálculos e, por fim, a tomada de decisão, as análises de custo-efetividade devem seguir algumas etapas básicas:

Definição da pergunta da pesquisa

Para que a análise de custo-efetividade (ACE) gere dados objetivos, em primeiro lugar, é preciso que se saiba desde o início o que se quer responder. A formulação da pergunta da pesquisa delineará todo o estudo, e um erro nessa fase pode comprometer o resultado final.

Escolha das tecnologias da saúde a serem estudadas

Essa seleção deve ser feita tendo como foco a pergunta da pesquisa e ter por base uma revisão da literatura existente.

Definição da perspectiva da análise

Nesta fase é indicado o stakeholder interessado na resposta do estudo, o que definirá o ponto de vista da análise. Por exemplo: se o interessado é o Sistema Único de Saúde (SUS) ou sistema de saúde suplementar, o estudo deve partir de perspectivas distintas.

Seleção dos desfechos

São definidos os desfechos clínicos desejados, sejam eles finais (como a morte ou infarto) ou intermediários (a exemplo de exames laboratoriais ou de imagem). Um desfecho final comumente usado na análise de custo-efetividade (ACE) é o DALY (sigla em inglês para anos de vida perdidos ajustados por incapacidade). O DALY considera outros índices (anos de vida perdidos por morte prematura e anos perdidos por incapacidade) para medir a carga da doença.

Seleção das categorias de custos

Nesta fase são considerados os custos diretos e indiretos. Isso pode ser mais complexo do que se imagina, especialmente quanto mais se tenta aproximar as estimativas do que ocorre no mundo real, com todas as suas variáveis.

Resultados

São apresentados por meio da razão entre as diferenças de custo e de efetividade entre as tecnologias da saúde estudadas, traduzida pelo indicador RCEI (razão custo-efetividade incremental).

Análise de sensibilidade

Trata-se de uma técnica para avaliar a incerteza sobre qualquer variável envolvida no estudo, seja em relação aos custos ou aos desfechos clínicos, com o objetivo de comprovar a robustez dos resultados da análise de custo-efetividade (ACE).

Modelos de cálculo

Os cálculos dos custos e benefícios feitos na análise de custo-efetividade (ACE) podem ser realizados por diferentes modelos. Entre eles estão a árvore de decisão, modelos de Markov, simulações de Monte Carlo, métodos bayesianos, entre outros. Todos esses modelos devem ter como base o conhecimento da história natural da doença e a ação das alternativas terapêuticas ao longo do tempo.

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